O
cristão e a política
Talvez você já tenha ouvido esta frase
algumas vezes ou lido em alguns lugares, e no atual momento, esteja enfadado ou
descrente. Confesso que o que você vai ler é uma visão pessoal, um entendimento,
não um tratado teológico que tem o propósito de justificar nossas ações, mas tem
o objetivo de levar-nos a reflexão.
Temos escutado também, que “nos
últimos 30 anos, o brasileiro não soube votar” e que seu voto costuma ser dado
a políticos que são populistas e pouco compromissados com os interesses
públicos. Todavia, permita-me fugir por hora deste assunto, pois meu desejo agora
é refletir sobre o comportamento do Corpo de Cristo e a qualidade do nosso
envolvimento em relação às responsabilidades que nos foram delegadas pela a
autoridade da nossa Constituição e pelo dever moral que as Escrituras Sagradas
nos orientam: a nossa partição no destino do nosso país.
Nos últimos 20 anos, temos aumentado
nossa participação política de forma mais efetiva, buscando a defesa dos nossos
direitos como cidadão e como uma classe religiosa representada, uma identidade.
Buscamos mais informação e orientação para tomarmos decisões que contribuem
para o destino de nosso município, do nosso Estado e do nosso País. Confesso
que, com as opções que nos são apresentadas, às vezes este processo é enfadonho
e desestimulante...
Mas é neste ponto que eu quero
construir exatamente meu pensamento e cito Stott para desenvolver meu
raciocínio:
“... É o uso da palavra “político” que faz piscar as luzinhas
vermelhas de advertência na mente de muitos evangélicos... Sempre que a igreja
(ou qualquer ramo desta) se envolve com a política pode-se esperar uma onda de
protesto, tanto de dentro, por parte de seus membros, quanto de fora. “A igreja
não deve se meter com política”, brada o povo. Religião e política não se misturam.
”¹
Temos vivido um frenesi em nosso meio.
Dados do IBGE apontam para um crescimento significativo do nosso segmento
religioso nos dois últimos censos neste período, somos mais de 50 milhões de
fiéis. E este crescimento tem contribuído para sermos bajulados por vários
segmentos da nossa sociedade: Mídia (eventos gospel em empresa de comunicação
secular), organizações econômicas (bancos que lançaram cartões de crédito
específico para nosso segmento), igrejas (com i minúsculo) proselitistas que
lutam por membros despercebidos de outras denominações, pelos políticos
oportunistas e etc. com o objetivo de nos usar para seus projetos de lucro e
poder. Isto acaba criando uma resistência a qualquer coisa que parta do meio
secular em nossa direção. Principalmente quando está vindo referido da
política.
Para ilustrar cito um caso em que eu
soube, porque foi alardeado pela mídia impressa, de um político candidato a governador
que “aceitou a Cristo em um congresso evangélico e a noite tomou um banho com
ervas em um culto de orixás em um templo umbandista”! Tal vergonhosa postura
alimenta uma insatisfação, animosidade e má vontade com esta classe. Se já não
bastasse o que cotidianamente presenciamos com os desmandos e exemplos de
alguns homens públicos. Tal fato nos
desanima e nos deixa confusos, admito. Porém e nosso o dever moral em nos
preocuparmos com os destinos de nosso país e é um dever cristão também.
Quero citar que este ocorrido não pode
nos desanimar ou nos fazer abandonar o desejo de transformar esta nação. Pois
sabemos que existem homens e mulheres cristãos e seculares que realmente se
importam com a coisa pública, com o bem público e com a sociedade. Nós não
podemos deixar de participar, nós não devemos nos deixar iludir. Devemos
insistir.
A política é um processo social
através do qual o poder coletivo é gerado, organizado e distribuído para
população. E através dos tempos recentes é o sistema que mais tem sido adequado
para nos proteger. O preço que se deve pagar para aperfeiçoa-la é relativamente
pesado. Principalmente porque o preço não está na utilização de moedas, mas de
participação.
Thomas Jefferson, estadista
estadunidense do Século XVIII cunhou uma frase que ilustra como a ausência da
participação política prejudica a todos: “quando as pessoas de bom caráter se
omitem, o mal triunfa”! Ele nos ensina que, seja por qual motivo for deixarmos
de lado as nossas responsabilidades morais com a sociedade, certamente vamos sofrer
por isso. Mas ele apresenta uma solução para o tal mal: “O preço da liberdade é
a eterna vigilância”. Aqui ele nos ensina que, se queremos nos manter como
homens e mulheres com liberdades políticas e civis e religiosas (pois é ele já
lutava por isso no tempo dele), deveriam atentar para prontidão e a
participação política.
Winston Churchill, (estadista
britânico do séc. XX) possuía uma frase paradoxal, mas verdadeira: "A
democracia é a pior forma de governo, exceto todas as outras que têm sido
tentadas de tempos em tempos." Com esta frase, ele queria nos dizer que
apesar de termos decepções e frustrações no sistema democrático, ainda assim é
melhor do que termos um governo totalitário, ditador e opressor como nos ilustra
a passagem de Juízes 7, e onde fundamento meu pensamento final:
Certo
dia as árvores saíram para ungir um rei para si. Disseram à oliveira: Seja o
nosso rei! A oliveira, porém, respondeu: Deveria eu renunciar ao meu azeite,
com o qual se presta honra aos deuses e aos homens, para dominar sobre as
árvores?
Então
as árvores disseram à figueira: Venha ser o nosso rei! A figueira, porém,
respondeu: Deveria eu renunciar ao meu fruto saboroso e doce, para dominar
sobre as árvores?
Depois
as árvores disseram à videira: Venha ser o nosso rei! A videira, porém,
respondeu: Deveria eu renunciar ao meu vinho, que alegra os deuses e os homens,
para ter domínio sobre as árvores?
Finalmente
todas as árvores disseram ao espinheiro: Venha ser o nosso rei! O espinheiro
disse às árvores: Se querem realmente ungir-me rei sobre vocês, venham
abrigar-se à minha sombra; do contrário, sairá fogo do espinheiro e consumirá
até os cedros do Líbano!
Juízes
9:8-15 – NVI
A passagem bíblica que lemos
anteriormente nos ilustra uma escolha equivocada, com base na omissão e
desleixo do povo hebreu. Este texto da palavra nos dá uma dimensão exata do que
ocorre quando os filhos de Deus não têm discernimento e abrem mão da sua
legitimidade para governar. Quando nós não assumimos o lugar que por direito deveríamos
assumir, ou deixamos de colocar pessoas capacitadas ou comprometidas com o
povo, sempre haverá quem ocupe este lugar para oprimir, para roubar ou para
fazer o quiser.
Se quisermos ser uma igreja
prevalecente para influenciar e gerar uma nação santa, não podemos nos omitir e
abrir mão daquilo a que somos chamados. As pessoas desta terra não precisam e
não querem que Espinheiros estejam governando. O Espinheiro é o governante
corrupto, autoritário, mercenário e vendido, que não conhece a Cristo e que
busca somente seus próprios interesses.
Se não tomarmos uma atitude e não nos
posicionarmos, as pessoas buscarão alguém que as governem. Deixando os
espinheiros governar sobre elas, quando deveriam estar sendo cuidadas por pessoas
que temessem ao nosso Senhor, deixamos de amá-las e atentamos contra nós
mesmos.
“... Cada cristão em particular
precisa ser politicamente ativo no sentido de, como cidadão consciente, votar
nas eleições, manter-se informado sobre assuntos contemporâneos, participar de
debates públicos, talvez escrever para um jornal, influenciar políticos e
participar de demonstrações. Além disso, alguns indivíduos são chamados por
Deus para dedicar sua vida ao serviço político, seja no governo local, seja a
nível nacional... ²”.
Precisamos
de homens e mulheres na presidência da nossa nação e em outros segmentos do
governo que sejam verdadeiros líderes tementes a Deus. Que a partir daí governe
para o povo e sirva o povo.
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